Seminários em que ninguém dorme: a corrente de prompts
Um seminário entedia quase sempre pelo mesmo motivo: texto demais no slide e nenhum motivo para escutar no primeiro minuto. A IA não escreve por você, ela te treina: público, gancho, três pontos e um ensaio com perguntas incômodas.
Lembre do último seminário que te deu sono. Provavelmente não foi o tema, foi alguém lendo oito minutos de slides lotados sem nunca dizer por que aquilo deveria importar para você. Agora lembre daquele de que você ainda se recorda: começou com algo concreto, tinha três ideias e dava para perceber que a pessoa entendia o que estava falando.
A corrente, em três prompts
Preciso apresentar sobre [TEMA] na aula de [MATÉRIA], [MINUTOS] minutos, para a minha turma ([ANO]) e o professor. Antes do conteúdo: me faça cinco perguntas para descobrir o que esse público já sabe e o que interessa a ele. Depois proponha três ganchos diferentes para os primeiros trinta segundos (uma pergunta, um número concreto, uma cena curta) e diga que tipo de público cada um pega. Não escreva a apresentação ainda.Vou com este gancho: [GANCHO ESCOLHIDO]. Agora me ajude a estruturar: quero exatamente três pontos, nem mais nem menos. O que eu sei do tema: [SUAS ANOTAÇÕES CRUAS]. Organize minhas ideias em três pontos com um exemplo concreto em cada e um fechamento de uma frase. Me dê só um esquema em tópicos, não um texto pronto: quero contar com as minhas palavras. E marque onde a minha informação está fraca e eu deveria conferir uma fonte.Vou ensaiar em voz alta. Aja como uma ouvinte crítica mas gentil da minha idade: ao fim de cada ponto, me faça duas perguntas que alguém que não sabe nada do tema faria, e uma pergunta difícil que o professor poderia fazer. No fim, diga qual parte não ficou clara e qual frase eu deveria cortar por ser longa. Não me elogie: quero saber o que está ruim.- Seis palavras no slide, não seis linhas. Se está tudo escrito, a turma lê você e para de escutar.
- Uma imagem que acrescente, não uma de enfeite. E nenhuma imagem cuja origem você não saiba explicar.
- Ensaie em pé e em voz alta, duas vezes. Passar mentalmente não conta: a boca tropeça onde o olho passa liso.
- Cronometre o ensaio. Quase todo mundo estoura o tempo, e é o estouro que faz o final sair atropelado.
- Tenha uma frase pronta para quando não souber: não sei, vou conferir e te falo amanhã. Soa muito melhor do que inventar.
No dia, a vantagem não é de quem escreveu mais, é de quem falou o próprio texto em voz alta mais vezes. É aí que a IA rende: você ensaia às onze da noite, quando ninguém em casa quer mais bancar a plateia, e ela devolve perguntas em vez de aplauso.
Fontes
Perguntas frequentes
Dá para perceber quando o seminário foi escrito pela IA?
Dá, e quase sempre pelo mesmo motivo: frases longas e lisas demais que não combinam com o seu jeito de falar, e uma resposta vazia assim que alguém pergunta algo que não estava no roteiro. Um esquema seu, com as suas palavras, aguenta qualquer pergunta.
Tenho pânico de falar na frente da turma, isso ajuda?
A parte do ensaio ajuda, e é ela que realmente diminui o nervosismo: o que você já disse cinco vezes em voz alta sai sozinho, mesmo tremendo. E se você travar, ter três pontos na cabeça em vez de um texto longo sempre deixa um lugar para voltar.