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Segurança Publicado em 21 de setembro de 2026 ·4 min de leitura

Fizeram um deepfake de uma colega (ou de você): o que fazer nas primeiras 24 horas

Alguém fabricou com IA uma imagem falsa sua ou de alguém da sua turma. Quem aparece na imagem não tem culpa, e o que você faz hoje pesa mais do que tudo o que vem depois: não compartilhar, guardar provas, denunciar na plataforma e contar para um adulto antes de dormir.

Capa de Enquanto você faz scrollO livro deste artigoEnquanto você faz scrollpara adolescentes (13 a 18)

Chega pelo grupo da turma, ou alguém te mostra no intervalo: uma foto de uma colega, ou sua, com o corpo trocado, nua ou numa situação que nunca aconteceu. Feita num aplicativo em dois minutos. Antes de qualquer passo, duas coisas. A primeira: quem aparece nessa imagem não fez nada; o problema é de quem fabricou e de quem encaminha, e a lei de vários países já diz isso. A segunda: a ordem do que você faz hoje importa mais do que quase tudo o que vai acontecer depois.

As primeiras 24 horas, se a imagem é sua

  • Não encaminhe para ninguém, nem para perguntar se é real ou pedir conselho. Cada encaminhamento é mais uma cópia que depois precisa ser apagada.
  • Não apague ainda. Faça print com o nome da conta que publicou, a URL ou o nome do grupo, a data e a hora. Esses prints são a prova, e vão só para um adulto e para a polícia, nunca para o grupo.
  • Denuncie na plataforma. Todos os grandes aplicativos têm um botão de denunciar imagem íntima sem consentimento; use direto na publicação.
  • Conte hoje para um adulto de confiança: mãe, pai, professora, tia, técnico do time. Hoje, não quando a coisa acalmar. Mais abaixo estão as três frases para fazer isso.
  • Com esse adulto, avisem a escola (coordenação ou direção) e registrem boletim de ocorrência na delegacia levando os prints.
  • Não responda a quem fez e não tente resolver sozinho com essa pessoa. E nunca negocie com quem ameaça espalhar a imagem.

Se encaminharam para você

  • Não encaminhe. Nem para o melhor amigo, nem com o comentário de que absurdo.
  • Escreva no grupo uma única frase: isso é falso e não se compartilha. Se continuar circulando, saia do grupo.
  • Apague do seu celular. Guardar no telefone uma imagem sexual montada de uma criança ou adolescente pode ser crime por si só, mesmo que não tenha sido você quem fez.
  • Conte para a pessoa que aparece. Ela precisa saber por alguém que está do lado dela, não pelo corredor.
  • Denuncie no aplicativo e conte você também para um adulto. Não precisa ser a vítima para pedir ajuda.

O que diz a lei no Brasil

O Estatuto da Criança e do Adolescente tem um artigo escrito para exatamente este caso desde 2008: o art. 241-C pune com reclusão de um a três anos, e multa, quem simula a participação de criança ou adolescente em cena de sexo explícito ou pornográfica por meio de adulteração, montagem ou modificação de fotografia, vídeo ou qualquer outra forma de representação visual. Um deepfake é isso, com ferramenta nova. E desde a Lei 15.123, de 24 de abril de 2025, o crime de violência psicológica contra a mulher (art. 147-B do Código Penal) tem a pena aumentada de metade quando é cometido com uso de inteligência artificial ou de qualquer outro recurso tecnológico que altere imagem ou som da vítima.

Onde pedir ajuda no Brasil

  • Helpline da SaferNet (new.safernet.org.br/helpline): orientação gratuita e anônima por chat para crianças, adolescentes, pais e educadores, inclusive sobre vazamento de imagens íntimas, sextorsão e cyberbullying.
  • Canal de denúncia da SaferNet (new.safernet.org.br/denuncie): denúncia anônima de conteúdo que viola direitos humanos na internet, com número de protocolo para acompanhar.
  • Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos: 24 horas, todos os dias, por telefone (100), WhatsApp (61) 99611-0100 ou Telegram (DireitosHumanosBrasil). Aceita denúncia anônima de violações contra crianças e adolescentes.
  • Delegacia de polícia, com os prints. O boletim de ocorrência é o que põe em marcha a investigação e a retirada.
As três frases para contar a um adulto

Preciso te contar uma coisa e preciso que você me ouça até o fim sem gritar. Alguém fez uma imagem falsa minha (ou de uma colega) com IA e ela está circulando. Eu guardei os prints e não encaminhei para ninguém; preciso que você me ajude a denunciar hoje.

Se quem está lendo é a mãe ou o pai: a primeira reação decide se o seu filho vai te contar alguma coisa assim de novo. Nada de por que você tem esse aplicativo nem de com quem você anda falando. Primeiro: obrigado por me contar, a culpa não é sua, a gente resolve isso junto. O sermão, se precisar, fica para outro dia. Uma última coisa para quem aparece na imagem: essa imagem não é você, é um arquivo que outra pessoa fabricou, e as plataformas e a polícia sabem lidar exatamente com esse caso porque veem isso toda semana. Daqui a um mês isso vai ser um assunto de adultos em andamento, não um problema seu sozinho. Contar hoje é o que encurta esse mês.

Fontes

Perguntas frequentes

Apago a imagem ou guardo?

Primeiro print com a conta, a URL ou o grupo, a data e a hora; depois apaga do celular. Os prints vão só para o adulto e para a polícia, nunca para o grupo.

Fazer um deepfake sexual de uma colega é crime no Brasil?

Sim. O art. 241-C do ECA pune com reclusão de um a três anos e multa quem simula a participação de criança ou adolescente em cena de sexo por montagem ou modificação de imagem. E a Lei 15.123/2025 aumenta a pena da violência psicológica contra a mulher quando há uso de IA.

E se só mandaram para mim e eu não fiz nada?

Não encaminhe, escreva no grupo que é falso e não se compartilha, apague, conte para a pessoa afetada e para um adulto. Guardar uma imagem sexual montada de uma criança ou adolescente no celular pode ser crime por si só.

Para quem eu ligo se ainda não quero contar para os meus pais?

Helpline da SaferNet, por chat, gratuita e anônima, ou Disque 100, 24 horas, também por WhatsApp. Eles orientam sobre como denunciar e pedir a retirada. Contar para um adulto de confiança continua sendo o próximo passo.

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