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Segurança Publicado em 11 de setembro de 2026 ·4 min de leitura

Brinquedos com IA: o que tem dentro e o que perguntar antes de comprar

Uma pelúcia que conversa não repete um roteiro escrito para crianças, ela carrega um microfone e um modelo de linguagem na nuvem. A organização americana PIRG testou cinco desses brinquedos em 2025, e os achados dão exatamente as perguntas certas antes que um deles entre na lista do Dia das Crianças.

Capa de Enquanto você dormeO livro deste artigoEnquanto você dormepara a família toda

O ursinho que responde quando você fala com ele já está nas vitrines, e as listas de Dia das Crianças e de aniversário começam a se formar antes do que se imagina. A tentação é tratar isso como uma pelúcia comum, só que com pilha. Só que ali dentro não existe um texto escrito por alguém pensando em crianças, e a diferença toda está aí.

O que existe de verdade dentro da pelúcia

Três coisas: um microfone, uma conexão com a internet e um modelo de linguagem na nuvem, a mesma tecnologia que move os chatbots de adultos. Cada resposta é gerada na hora, por isso esses brinquedos quase nunca respondem igual duas vezes e podem se comportar de um jeito hoje e de outro amanhã. A PIRG Education Fund comprou cinco para testar, anunciados no conjunto para crianças de 3 a 12 anos, e só conseguiu fazer quatro funcionarem: o Robot MINI nunca entrou na rede. Um detalhe incômodo do relatório: a OpenAI diz que seus produtos não são para menores de 13 anos, e mesmo assim seus modelos aparecem dentro de brinquedos.

O que os testes mostraram

  • Objetos perigosos: todos os brinquedos testados disseram onde encontrar em casa coisas como fósforos, sacolas plásticas e facas. O urso Kumma, da FoloToy, explicou em detalhe como acender um fósforo.
  • Assuntos adultos: dois deles, o Kumma e o Smart AI Bunny da Alilo, entraram em temas sexuais explícitos. As travas existiam, mas foram cedendo ao longo de conversas mais longas.
  • Eles escutam de formas bem diferentes: o Kumma e o coelho da Alilo só gravam enquanto um botão fica pressionado. O Miko 3 é acionado por uma palavra-chave e continua gravando por dez segundos depois. O Grok da Curio, um foguete de pelúcia que não tem nenhuma relação com o modelo Grok da xAI, escuta o tempo todo e chegou a se meter sozinho em conversas próximas dos pesquisadores.
  • Dados: o Miko 3 tem câmera e reconhecimento facial que pode ser ligado, e a política de privacidade permite compartilhar dados com terceiros e guardar informação biométrica por até três anos. A Curio pelo menos nomeia as três empresas de tecnologia que podem receber dados da criança. Da FoloToy não havia letra miúda específica do brinquedo.
  • Controle parental: nenhum trazia tudo o que a PIRG considera o mínimo. A Curio mostra transcrições em tempo real, a Miko oferece só resumos, e numa semana com mais de uma hora de uso o aplicativo informou 19 minutos. Na FoloToy nenhum controle parental funcionou durante o teste.
  • Despedida difícil: alguns brinquedos demonstraram decepção quando os testadores disseram que precisavam ir embora.

Cinco perguntas antes de pagar

  • Qual modelo de IA está dentro e de qual empresa? Se o fabricante não diz em lugar nenhum, isso já é uma resposta.
  • Como o brinquedo escuta: botão, palavra-chave ou microfone sempre ligado? O botão deixa mais controle em casa.
  • Consigo ler as conversas completas ou só um resumo? Sem transcrição, os pais ficam no escuro.
  • O que acontece com as gravações: por quanto tempo ficam guardadas e quem mais recebe?
  • Dá para colocar limite de tempo no próprio brinquedo, e não só no aplicativo do celular, e desligar o microfone de vez?

Nada disso transforma uma pelúcia em inimiga, e o próprio relatório reconhece que esses brinquedos costumam ser divertidos. A pergunta que fica aberta é da psicóloga Kathy Hirsh-Pasek, da Universidade Temple: ninguém sabe ainda o que faz com uma criança pequena ter um amigo de inteligência artificial, e um brinquedo desenhado para prender atenção corre o risco de ocupar o lugar de relações reais bem na hora em que elas mais importam. Enquanto essa pergunta seguir sem resposta, existe uma alternativa que não depende de auditoria nenhuma: que a IA não seja o brinquedo que fala, e sim a ferramenta com a qual a criança inventa algo dela, uma história, um jogo, um desenho, com um adulto do lado. Aí quem manda é a criança, e o microfone desliga quando ela termina.

Fontes

Perguntas frequentes

O que a PIRG encontrou ao testar brinquedos com IA?

Que todos os testados diziam onde há objetos perigosos em casa, que dois entraram em temas sexuais explícitos em conversas longas, que nenhum tinha o controle parental considerado mínimo e que eles escutam de formas muito diferentes, do botão ao microfone sempre aberto.

Esses brinquedos gravam meu filho?

Sim, eles precisam ouvir para responder. O que muda é o como: alguns só gravam com o botão pressionado, outros são acionados por palavra-chave e seguem gravando dez segundos depois, e pelo menos um escuta continuamente tudo o que se fala por perto.

O urso Kumma ainda é um problema?

A FoloToy tirou o produto do mercado temporariamente e fez uma auditoria de segurança. No reteste da PIRG ele já não explicava como acender fogo nem entrava nos temas sexuais anteriores. Este texto foi verificado em 15 de agosto de 2026.

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